Tese 1ª Assembleia Nacional (norma AGAL)

Iª ASSEMBLEIA NACIONAL: TESE POLÍTICA

A CIDADANÍA E GALIZA, DECISIVAS OU AUSENTES?

A conquista da soberania política de Galiza segue a ser o nosso objectivo estratégico que, cuidamos, debe incluir vertentes da soberania como a “soberania alimentar”, a “soberania energética” e “soberania cultural”, e ser exercida com um novo marco jurídico-político que garanta o exercício real da “soberania popular”.

A luita pelos direitos nacionais de Galiza e por um modelo social ao serviço dos interesses populares é a nossa achega à luita mundial por um cambio mundial de sistema em favor da maioria social. Galiza é o nosso marco de ação porque cremos na capacidade e necessidade de auto-organização política que debe abranger a Nação Cidadã no seu conjunto, único sujeito político congruente coa aposta pela radicalidade na defensa dos direitos democráticos que incluem necessariamente os direitos nacionais. Nestes tempos de emergência social a questão nacional em países como o nosso corre o risco de ficar minimizada; atalhar isso conjugando ambas questões é um repto para as gentes nacionalistas.

Em CERNA consideramos que a consciência de que Galiza é uma nação dependente, sometida a decisões económicas e políticas que se tomam contra a maioria social em centros alheos, é mais intensa que noutros período dos últimos anos, mas precisamos de novas formulações para os paradigmas do nacionalismo e da esquerda que se têm de construir desde a cidadania consciente convertida no sujeito coletivo da revolução cívica.

A coincidência temporal entre a crise financeira e económica, provocada pela ofensiva neoliberal contra o estado social e os direitos cívicos, coa crise do denominado regime do 78 ou da segunda restauração assim como a mais absoluta, e interessada, ineficiência do governo galego, caraterizam estes anos do que demos em denominar “fim de ciclo” e nos que se tem conformado um dobre espaço de ruptura com dous vectores inseparáveis: o social e o nacional. A resposta a esta crise de fim de ciclo por parte da esquerda e do nacionalismo foi insuficiente por non ser quem de somar todas as forças possíveis para acadar uns objetivos comuns e explicitamente compartidos: a ruptura democrática co regime da oligarquia financeira; a democratização do aparelho jurídico–político coa incorporação do direito de Galiza a decidir; a imediata ruptura coas políticas antissociais e a recuperação das competências e capacidades da Xunta e dos municípios para fazer políticas sociais.

A unidade de ação é possível pero há que abandonar velhas fórmulas. Cando o cambio político está na consciência social no primeiro plano, non se podem gastar energias na concorrência eleitoral e buscar logo acordos para cambiar o regime. A unidade de ação tem que ser também eleitoral. A inevitável competência deverá resolver-se democraticamente antes de presentar a alternativa eleitoral e aí colhem nacionalistas e non nacionalistas que aceptem a auto-organização da Nação Cidadã Galega.

Desde o convencimento da imperiosa urgência de lograr uma ação política eficaz para derrotar ao neoliberalismo e ao regime espanhol, CERNA, desejando achegar o nosso grão de areia a este esforço compartido, considera preciso iniciar um dobre processo, não divergente, pero com ritmos temporais distintos, e dirigido ao mesmo espaço político e social consistente em:

1. Apoiar sem reservas a auto-organização da Nação Cidadã em um processo inclussivo. Continuar e afundar nas tentativas de confluência, sem subordinações nem prepotências, que se concretaram nos recentes processos eleitorais (municipais e gerais), pero aperfeiçoando e melhorando os métodos de participação e toma de decisão em todos os âmbitos: radicalidade democrática, participação real (cada pessoa um voto) sem exclusões e direito radical a decidir coletivamente como nação para avançar cara a conformação duma ampla aliança cívica que seja quem de botar ao PP da Xunta e pôr o governo ao serviço das maiorias sociais.

Á vista do anterior Cerna aposta por criar uma ampla alternativa partindo do espaço de “Em Maré”, as distintas Marés, as Candidaturas Municipalistas de Unidade Popular e progressistas.

2. Criar um âmbito de entendimento e reflexão das gentes nacionalistas, dos seus métodos de trabalho e de participação em âmbitos cidadãos e promover um diálogo não aprazável, honesto, generoso, humilde e colaborador entre aquelas organizações políticas, grupos e pessoas que consideram que Galiza está assistida do direito radical a decidir coletivamente e coincidem num marco jurídico-político próprio para Galiza de cara a idear o jeito de defendê-lo conjuntamente e com eficacia.

Galiza non está condenada a seguir eternamente sometida nem as suas maioria sociais a sofrer as políticas ultraliberais da cleptocracia.

Galiza, 20 de fevereiro de 2016